Rock in Rio

Cria do Morro do Dezoito, Hitmaker faz seu primeiro show solo no Rock in Rio e homenageia a avó

4 de agosto de 2026
Cria do Morro do Dezoito, Hitmaker faz seu primeiro show solo no Rock in Rio e homenageia a avó

A contagem regressiva já começou e, com ela, a expectativa de quem vai estrear no Rock in Rio. É o caso de Hitmaker, um dos grandes nomes do funk e do pop nacional. Criado no Morro do Dezoito, na Zona Norte do Rio, o produtor será o segundo a se apresentar no Espaço Favela na abertura do evento, em 4 de setembro.

"O Rock in Rio representa muita coisa na minha história. Como compositor, produtor, fã. Sempre quis ter uma música que tocasse no festival", conta o artista. O primeiro encontro com o palco veio de longe: ele assinou "Favela Chegou", faixa que o público cantava nos shows de Anitta e Ludmilla. "Foi a realização de um sonho para um cara que foi criado no Morro do Dezoito."

A primeira vez que pisou na Cidade do Rock foi em 2024, a convite de Akon, para um remix no Palco Mundo. O encontro nasceu de um pedido especial de Maitê, filha do músico, de 9 anos. "Tudo começou por causa de um remix que fiz para ela. Toda vez que a levo e busco na escola, coloco alguma música que ela goste, mas na minha versão. Na época, ela escolheu 'Lonely', do Akon", relembra. Agora, com show próprio, ele terá a filha na plateia. "A voz do 'Hi-t-ma-ker', presente em todas as minhas músicas, é dela. Minha filha vai poder entender que nunca deve desistir dos sonhos."

É por Dona Nice

O sucesso veio depois de uma infância difícil. Hitmaker foi criado pela avó, Dona Nice, fã declarada do grupo Só Pra Contrariar. "Durante a minha vida, as coisas não foram fáceis, porque eu não tinha uma condição financeira boa. Mas a música sempre esteve presente, e tudo começou pela minha avó", diz. Quando ele tinha 12 anos, ela adoeceu, e o neto sentiu que precisava fazer alguma coisa.

Sem televisão em casa, ele pediu emprestado o cavaquinho de um vizinho, com apenas duas cordas e um papelão colado nas costas do instrumento, para animar a avó. "Me sentei na cama dela, toquei e cantei, e ela dormiu. No dia seguinte, me disse: vai não me botar para dormir de novo?" Foi ali que descobriu, na ficha técnica de um CD, os papéis de compositor, produtor e arranjador. "Pensei: preciso ser igual ao Alexandre Pires. E disse: vó, vou consertar esse cavaco, aprender a cantar, conhecer o Alexandre Pires e tocar na rádio. Tudo pela senhora."

Para juntar dinheiro, ele fazia sacrifícios. "Eu tinha R$ 2 por dia para ir e voltar da escola de ônibus, mas ia a pé. Também deixava de comer, o que dava mais uns R$ 2 para comprar revistinha de cifra e arrumar o cavaquinho. Eu era conhecido como o menino do cavaquinho." Depois de meses de estudo, porém, veio a perda: a avó faleceu no mesmo dia em que ele finalmente iria mostrar a canção preferida dela.

"Eu falo que o menino Wallace faleceu junto naquele dia. Dali em diante, não soube o que é jogar bola, soltar pipa, nada. Só faço música", afirma o artista, que hoje coleciona parcerias com Ana Castela, Tati Quebra Barraco e outros nomes. A apresentação no Espaço Favela, para ele, é maior do que um sonho pessoal. "É a representatividade de muitos outros sonhos periféricos estarem ali naquele palco."