Rock in Rio
Capital Inicial dá spoiler sobre show inédito com Dado Villa-Lobos no Rock in Rio
Falta pouco para o Capital Inicial subir ao palco do Rock in Rio, e o grupo prepara uma apresentação marcada por encontros históricos e novidades na produção. Uma das novidades será a participação de Dado Villa-Lobos, guitarrista da Legião Urbana e amigo de infância de Dinho Ouro Preto, em uma união inédita para homenagear Renato Russo.
Amigos desde a infância em Brasília, Capital Inicial e Dado Villa-Lobos sobem ao palco juntos pela primeira vez. A parceria vai celebrar a trajetória do rock brasiliense e prestar um tributo direto à memória do líder da Legião Urbana.
"Eu e o Dado somos muito próximos desde a nossa infância. Nos conhecemos quando tínhamos uns 11 anos e nunca mais desgrudamos", relata Dinho Ouro Preto. "Mesmo com tanta história entre nós, é a primeira vez que vamos fazer um show juntos. Não tenho como colocar em palavras minha alegria de tê-lo ao lado no palco do Rock in Rio celebrando a Legião Urbana e o Renato Russo, meu grande herói musical. Vai ser épico."
Além da presença do guitarrista convidado, o vocalista antecipa que a banda montou um projeto cênico exclusivo para a apresentação no festival:
"Nós estamos preparando um show de luzes como nunca fizemos antes. Então, além do encontro, o repertório vai ser visualmente estarrecedor. Mas não posso contar mais do que isso. Nos vemos lá."
Capital Inicial celebra 40 anos do primeiro disco
Paralelamente aos preparativos para o Rock in Rio, o Capital Inicial vive a celebração de quatro décadas de seu primeiro álbum de estúdio, o homônimo "Capital Inicial" (1986). Gravado por Dinho (voz), Loro Jones (guitarra), Flávio Lemos (baixo) e Fê Lemos (bateria), o repertório de 11 faixas reuniu composições que nasceram no Aborto Elétrico — projeto que antecedeu tanto o Capital quanto a Legião Urbana.
Para Dinho, a passagem do tempo alterou a percepção e o peso social de faixas consagradas como "Música Urbana", "Leve Desespero", "Fátima", "Veraneio Vascaína", "No Cinema" e "Sob Controle".
"'Fátima' é a primeira que me vem à cabeça. A letra é tão estranha que na verdade cada pessoa a interpreta como quer", avalia o cantor. "'Leve Desespero', por outro lado, me parece perfeita para os dias de hoje, em que todos se conectam, mas simultaneamente se sentem sós. 'Música Urbana', que é uma canção sobre Brasília, hoje pode ser ouvida como uma música sobre a vida cinzenta de qualquer grande cidade brasileira. 'Veraneio Vascaína' era sobre um evento específico — a invasão do campus da UnB pela polícia durante o regime militar —, mas hoje é entendida como uma música sobre a brutalidade do Estado de um modo geral."
Apesar do carinho pelo repertório e da resposta do público ao longo das décadas, o vocalista aponta as limitações técnicas e estruturais do álbum "Capital Inicial".
"Quando me ouço cantando, tenho vontade de regravar o disco inteiro. Me incomoda o fato de as guitarras e a bateria não terem mais som. Naquele momento, ninguém sabia produzir rock no Brasil. A sonoridade que todos conhecemos e gostamos nos gringos só chegou aqui quase dez anos depois", pondera o cantor. "Fora isso, eu era muito moleque, tinha 21 anos. Acho que mais alguns anos de estrada teriam me feito bem. Por outro lado, o disco virou um clássico. É ouvido até hoje e tocamos várias músicas dele nos shows. Então, é melhor deixar para lá e só apreciá-lo."
