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Alice In Chains
Em sua primeira vinda ao Brasil, Jerry Cantrell era um jovem cabeludo que tinha formado uma banda com amigos em Seattle. O tal grupo, chamado Alice in Chains — um dos grandes da cena que transformou a chuvosa cidade americana em meca do rock por 15 minutos —, estava ganhando popularidade, com suas melodias tortuosas, os vocais dobrados e a temática sempre pessimista, acentuada pela voz chorosa do cantor Layne Staley. A vinda ao Brasil, para o festival Hollywood Rock de 1993, foi supreendente em vários aspectos.
— Nunca tínhamos enfrentado uma beatlemania como a que vimos aqui — lembra Cantrell, hoje com 46 anos, pelo telefone, de Los Angeles. — Ficamos no saguão do aeroporto decidindo quem sairia correndo primeiro pelo meio da multidão até o ônibus. Acabei indo e cheguei todo arranhado, além de banhado em suor. No hotel, vi que tinham arrancado meu cordão com as placas de identificação do meu pai na Guerra do Vietnã. Fui à televisão pedir por elas e, quando voltamos do show, alguém as tinha deixado no hotel.
Um final feliz depois de algum drama, mais ou menos como o Alice in Chains, cujo cantor original, Layne Staley, morreu de overdose em 2003, depois de uma longa batalha contra a heroína — droga que há décadas mina a cena musical de Seattle. Depois de um período tocando projetos diversos (a banda parou anos antes da morte de Staley, devido aos problemas dele), Jerry reformou o Alice in Chains em 2005 com o cantor William DuVall e os mesmos Sean Kinney (bateria) e Mike Inez (baixo desde 1993, depois de Mike Starr, outra vítima de overdose).
— É difícil tomar uma decisão como essa, a de substituir um amigo querido, além de remontar uma banda com outro cantor, que é a figura central — conta Jerry. — Mas, quando começamos a tocar juntos, o sentimento era bom. Então pude voltar a tratar da minha paixão maior, o Alice in Chains.
No momento, a banda está no estúdio, concluindo seu segundo CD com a atual formação — o primeiro foi “Black gives way to blue”, de 2009.
— Estamos amarradões por tocar no Rock in Rio — diz ele. — E será a situação ideal, com músicas novas e na mesma noite do Metallica! Já nos divertimos muito tocando debaixo de chuva naquele festival em São Paulo (o SWU de 2011), imagina no Rio...
Apesar de vestir a camisa de Seattle, onde voltou a morar em 2011, depois de quase uma década em Los Angeles, ele diz que não há nada de muito especial na cena roqueira de lá.
— Boa música e drogas são coisas que existem em todas as grandes cidades, imagino que no Rio também — diz. — É claro que gostei do estouro dos grupos de Seattle nos anos 1990, mas, se nada daquilo tivesse acontecido, teríamos continuado a fazer rock do mesmo jeito.
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