Rock in Rio

Muito além do gramado vazio: o verdadeiro desafio da música ao vivo no Brasil

18 de setembro de 2026
Muito além do gramado vazio: o verdadeiro desafio da música ao vivo no Brasil

Quem navegou pelas redes sociais nas primeiras horas do Rock in Rio se deparou com vídeos mostrando espaços vazios no gramado. A imagem rapidamente virou polêmica na internet, mas os números oficiais contam outra história. O festival encerrou sua edição com mais de 700 mil pessoas presentes ao longo dos sete dias de festa, provando que o gigante continua gigante. O buraco na verdade é mais embaixo e envolve a sobrevivência de toda a engrenagem da música ao vivo no país.

Enquanto o topo da pirâmide segue faturando alto e atraindo investimentos milionários em grandes arenas, as pequenas e médias casas de shows enfrentam uma realidade sufocante. Esses espaços menores funcionam como o verdadeiro laboratório da música, onde novos artistas aprendem a dominar o palco e começam a construir sua base de fãs. Sem esse primeiro degrau, o caminho que leva um artista iniciante até o palco de um grande festival simplesmente deixa de existir.

Além disso, o mercado de entretenimento agora enfrenta a concorrência pesada do mercado de apostas online, que movimenta bilhões de reais e disputa diretamente a atenção e o bolso do público. Entre dar um toque na tela do celular ou enfrentar filas e deslocamento para ver um show, muitos acabam escolhendo a primeira opção. Se as casas pequenas continuarem fechando as portas sem o apoio do público, o futuro da nossa cena musical pode ficar comprometido, transformando o mercado em um lugar que apenas consome espetáculos prontos em vez de revelar novos talentos.