Grupo Especial

Unidos de Vila Isabel mergulha na Chapada Diamantina para trazer Torto Arado ao Carnaval

30 de julho de 2026 Grupo Especial
Unidos de Vila Isabel mergulha na Chapada Diamantina para trazer Torto Arado ao Carnaval

A equipe de Carnaval da Unidos de Vila Isabel concluiu uma imersão pela Chapada Diamantina, na Bahia, como parte da pesquisa do enredo que levará à Marquês de Sapucaí no Carnaval de 2027: "Torto Arado, Sobre a terra há de viver sempre o mais forte", inspirado na obra de Itamar Vieira Junior.

Ao longo de mais de 2 mil quilômetros, carnavalescos, pesquisadores e integrantes da equipe de criação visitaram cidades, comunidades quilombolas, grutas, cachoeiras e casas de Jarê, religião de matriz africana presente na região, marcada por influências do catolicismo popular e das religiosidades indígenas. O objetivo foi conhecer de perto o território onde se passa o romance e vivenciar, ao lado dos moradores, tradições, religiosidades e manifestações culturais que atravessam a obra.

Ambientado no sertão baiano, Torto Arado aborda, de forma poética, as relações entre o povo negro rural e a terra, tratando de temas como ancestralidade, espiritualidade, resistência e desigualdade social. Sucesso de público e crítica, o romance conquistou importantes prêmios literários e já ganhou adaptações para os palcos.

A viagem foi realizada por recomendação do próprio Itamar Vieira Junior, que também compartilhou orientações e colocou a equipe da Vila em contato com pessoas da região. Desde os primeiros encontros com os carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora e com o pesquisador Vinicius Natal, o escritor destacou a importância da experiência em campo: era preciso percorrer os caminhos que inspiraram o livro. Seguindo essa orientação, a comitiva ouviu histórias, conheceu personagens e visitou lugares que ajudarão a construir a narrativa visual do desfile.

Parte dessa vivência já começa a aparecer na concepção do Carnaval. As visitas às casas de Jarê, onde a equipe acompanhou de perto os toques, os cânticos e a espiritualidade da região, servirão de referência para momentos importantes do desfile. O contato com comunidades quilombolas também contribuirá para a construção estética e simbólica do enredo, aproximando ainda mais a narrativa da realidade que inspirou a obra de Itamar Vieira Junior.

Gabriel Haddad destaca que a viagem também influenciou escolhas estéticas da equipe. "A região da Chapada Diamantina possui uma tradição de bordados muito interessante, o que já foi incorporado à linguagem do enredo, até porque é uma técnica muito pesquisada por mim e pelo Leonardo. Na cidade de Lençóis, pudemos folhear, inclusive, um livro publicado em forma de bordados, ou seja, um texto tecido em material têxtil. Com certeza, o público verá diferentes técnicas de bordado e beneficiamentos têxteis em muitas fantasias da Vila Isabel", afirma.

"O Itamar sempre nos disse que Torto Arado nasceu da convivência com as pessoas da Chapada e das histórias que ouviu naquele território. Entendemos que não bastava pesquisar os temas do livro a partir do mergulho em outros livros; era preciso conhecer esses lugares e conversar com quem vive ali", diz o pesquisador Vinicius Natal.

Para Gabriel Haddad, a viagem consolidou a narrativa do desfile. "Conhecer a Chapada Diamantina nos permitiu compreender as camadas da escrita do Itamar e transformar isso em fantasias e carros alegóricos. A linguagem desse próximo Carnaval passa pelos caminhos da Chapada Diamantina."

Leonardo Bora também ressalta a importância da experiência. "Percorrer esses caminhos, conhecer as comunidades quilombolas, ouvir os tambores das casas de Jarê e navegar por histórias que atravessam gerações foi fundamental para que a gente consiga contar Torto Arado com a profundidade que a obra merece."