Grupo Especial
Sidnei França desvenda Oyá na Mangueira: seis movimentos de emoção pura
Sidnei França fechou os olhos da Mangueira em Oyá e agora abre a boca pra contar como vai ser. O carnavalesco da Estação Primeira conversou tudo sobre o desfile de 2027, aquele que vai preparar a escola pro seu centenário em 2028 com um enredo quente, potente, que sai do chão em alta temperatura. Ele deixou claro que quer um desfile pra sentir primeiro, pra entender depois. Oyá vem como natureza antes de ser arquétipo, como força dos ventos e das tempestades. O samba-enredo não vai musicar sinopse, vai interpretar história mesmo. E tem três regras de ouro: a orixá será vista pela perspectiva nagô-iorubá, nada de sincretismo com Santa Bárbara no enredo, e Iansã é protagonista do começo ao fim.
O carnavalesco desenhou seis movimentos pra contar essa jornada toda. Começa com Oyá como elemento puro, depois vem a transformação dela em elefante, coral, rio, búfalo e borboleta, estratégias de sobrevivência que fazem total sentido na vida de hoje. Aí entra o mito dos nove filhos e aquela mãe que deixa o chifre pra ser chamada em caso de perigo, coisa que Sidnei conecta direto com as mulheres que saem de casa pra sustentar outras famílias. Os casamentos estruturam a história: com Ogum ela aprendeu guerra, com Xangô formou um casal intenso e ela foi a única que enfrentou as ordens do marido e viralizou poderosa quanto ele. Depois vem o terreiro, o poder de Oyá sobre o trânsito entre os mortos e os vivos, os eguns, o candomblé. E fecha com a Mangueira feminina, cheia de mulheres icônicas que sempre foram à luta, assim como Iansã.
