Grupo Especial
Mocidade Alegre aposta na Nau Catrineta para conquistar o bicampeonato
A Mocidade Alegre já conhece bem o caminho para o topo do pódio. Depois de sair como campeã em 2026, a agremiação chega com tudo em 2027 com um enredo que mistura mística, religiosidade e a força das tradições populares nordestinas. O carnavalesco Caio Araújo e o enredista Leonardo Antan escolheram a história da Nau Catrineta, uma lenda romântica que virou poema e atravessou séculos pela tradição oral brasileira.
Segundo a narrativa, a embarcação ficou sete anos à deriva no oceano enfrentando fome, tempestades e até tentações sobrenaturais. A saída veio pela fé e pela proteção divina, o que virou metáfora poderosa sobre a fragilidade humana diante da imensidão do mar. É uma história de confronto entre a bondade e as tentações que ganhou força nos estudos do historiador Luís da Câmara Cascudo e nos escritos de Mário de Andrade e Ariano Suassuna.
O timing é perfeito. Ariano Suassuna, criador do movimento armorial que faz centenário em 2027, tem tudo a ver com esse enredo que busca mostrar um sertão alegre e atual, sem clichês. A Mocidade também quer resgatar a memória viva dessa lenda nos grupos de fandango, marujada e chegança que ainda existem em cidades do nordeste como Cabedelo e Canguaretama.
Para o carnavalesco e o enredista, trata se de uma escolha à altura da identidade forte da escola. "Encontramos nessa história da Nau Catrineta uma série de elementos que são caros à agremiação, como o aspecto místico e lúdico, além de um emocional religioso. Queremos mostrar um sertão alegre e atual, sem estereótipos, que se reinventa através da festa", explicaram em entrevista.
Depois de fechar 2026 com 269,8 pontos em "Malunga Léa, Rapsódia de uma Deusa Negra", a Mocidade chega ao Sambódromo do Anhembi no sábado de carnaval, 6 de fevereiro, como terceira escola a desfilar pelo Grupo Especial. O sonho é o bicampeonato e uma aproximação ainda maior do Vai-Vai, maior campeão paulista em número de títulos.
